O Ibecê Alaketu Àse Ògún Megège — também grafado Ibécê Alaketu Axé Ògún Megegê — é uma das casas de candomblé mais tradicionais da nação Ketu no Brasil. Fundado na década de 1920 pelo babalorixá Pai Nezinho de Muritiba, o terreiro é um dos pilares de preservação das tradições iorubás no Recôncavo Baiano. Seu nome saúda Ògún Méjéjé, uma das qualidades do orixá guerreiro associada aos sete caminhos em que se divide.
Pai Nezinho, batizado Manuel Cerqueira dos Santos, foi iniciado no candomblé por Maria da Glória Nazareth — antecessora de Mãe Menininha do Gantois — e ocupava o posto de Babá Ebê no Terreiro do Gantois, em Salvador. Ao deixar Muritiba, adquiriu um terreno no distrito de Portão, em Governador Mangabeira, na Bahia, onde assentou o Àṣẹ e ergueu o terreiro dedicado a Ògún.
Foi casado com Eremita de Paula de Amorim, conhecida como Mãe Morena, que atuou como Ialaxé — guardiã do axé — da casa. Juntos tiveram nove filhos, que dariam continuidade ao legado espiritual da família.
Com o falecimento de Pai Nezinho, em 30 de junho de 1973, a liderança da roça principal na Bahia foi assumida por sua filha Mãe Cacho de Obaluaê Ajagun, ao lado de Pai Jorge de Ògún, mantendo viva a chama do terreiro original até os dias de hoje. Já a filha mais velha, Mãe Juju de Osun, mudou-se para São Paulo, onde Pai Nezinho já havia plantado um fundamento, e lá fundou o Ilê Marokétu Àṣẹ Osun — origem direta do Ilé Àṣẹ Marokétu Ògún e Ọ̀ṣọ́ọ̀sì.
O Ibecê Alaketu Àse Ògún Megège é considerado por historiadores e antropólogos uma casa matriz fundamental para o candomblé brasileiro. Por suas mãos passaram figuras históricas da religião, entre elas Gaiacu Luiza, iniciada em 1937, e Babá PC de Oxumarê, iniciado em 1965. O valor histórico do terreiro segue vivo hoje sob a liderança de Mãe Cacho.
Fontes: verbete de Nezinho de Muritiba na Wikipédia; reportagens da TV Rádio Web USM.
Ilé Àṣẹ Marokétu