Brasão do Ilé Àṣẹ Marokétu Ògún e Ọ̀ṣọ́ọ̀sì Ilé Àṣẹ Marokétu Ògún e Ọ̀ṣọ́ọ̀sì
Mãe Juju de Osun, com turbante e colares de Oxum
Ialorixá

Mãe Juju de Osun

Iniciada na roça da Muritiba pela saudosa Mãe Menininha do Gantois, tornou-se Ialorixá e fundou o Ilê Marokétu Àṣẹ Osun, em São Paulo — a Ìyálórìsà de Pai Diney.

Nascida Juvelgínia Batista do Amorin em 23 de junho de 1936, no Recôncavo baiano, Mãe Juju é filha carnal de Pai Nezinho de Muritiba, um dos mais importantes sacerdotes da história do candomblé. Em fevereiro de 1940, durante a festa anual de Ògún de seu pai, foi iniciada na roça da Muritiba, o Ibecê Alaketu Àse Ògún Megège, tendo como madrinha de santo a própria Mãe Menininha do Gantois — que se deslocava do bairro da Federação, em Salvador, até a roça para celebrar os festejos.

Na juventude, Mãe Juju se envolvia com as atividades da roça, mas nem sempre se sentia à vontade com o peso da tradição; ainda assim, seguiu o caminho que lhe foi destinado por seu pai, sempre firme na condução da filha. Casou-se, morou em Salvador, e mudou-se para São Paulo com o marido e o filho mais velho, Valdir, em setembro de 1959. Nos primeiros anos, morou no bairro da Vila Prudente, na zona leste paulistana, período em que jogava búzios sem o conhecimento do marido, que não via a religião com bons olhos. Além de Valdir, teve mais três filhos: Vera, Valmir e Vânia, todos nascidos em São Paulo.

Vendo a dificuldade da filha em conciliar fé e vida familiar, Pai Nezinho presenteou-a com o terreno onde, mais tarde, seria erguido o Ilê Marokétu Àṣẹ Osun, no Jardim Iva, em Sapopemba. A inauguração estava prevista para julho de 1973, mas o falecimento de Pai Nezinho naquele mesmo mês adiou a cerimônia, por luto e por preceito religioso, para julho do ano seguinte, 1974. Amigos e irmãos de santo — entre eles Mãe Bida, Tata Pérsio, Pai Waldomiro e seu irmão Jorge Amorin — ajudaram a erguer a casa em seus primeiros anos. O primeiro filho iniciado na nova casa foi Félix de Ògún, já falecido.

Ao longo de décadas, o Ilê Marokétu Àṣẹ Osun formou centenas de filhos e filhas de santo, entre eles Bàbá Nininho T'Ògún e, em 1991, Pai Diney, iniciado por Mãe Juju para o Òrìṣà Ọ̀ṣọ́ọ̀sì. Hoje, Mãe Juju de Osun soma mais de mil e duzentos filhos espirituais espalhados pelo Brasil e pelo mundo, sendo uma das grandes matriarcas do candomblé paulistano.

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